Brand Equity: o que é e como construir (mesmo sendo uma PME)

Brand equity não é exclusividade de grandes marcas. Entenda o que é valor de marca, como ele se constrói e o que empresas menores podem fazer para desenvolvê-lo.

Sumário

brand equity

Existe uma razão pela qual duas empresas que vendem produtos quase idênticos conseguem cobrar preços completamente diferentes. Uma delas tem uma marca. A outra tem um produto.

Essa diferença tem nome: brand equity.

Brand equity é o valor que uma marca acumula na mente do consumidor ao longo do tempo. Não o valor contábil do negócio, não o faturamento, não os ativos físicos. É o valor intangível que faz um cliente escolher uma marca mesmo quando o concorrente é mais barato, ou recomendá-la sem ter sido perguntado, ou pagar mais só por estar associado a ela.

O conceito ficou famoso em contextos de grandes corporações. Nike, Apple, Coca-Cola. Marcas que valem bilhões na mente dos consumidores muito além do que valeriam como simples portfólios de produtos.

Mas brand equity não é exclusividade de grandes marcas. É um ativo que qualquer empresa pode construir, independente do tamanho. A diferença é que empresas menores constroem com mais agilidade, menos camadas burocráticas e uma conexão mais direta com o cliente. Quando fazem certo.


O que compõe o brand equity

O conceito foi sistematizado por David Aaker, professor de marketing da UC Berkeley, em quatro componentes principais. Cada um é um ativo que a marca constrói e que pode ser medido, ainda que de forma qualitativa.

Reconhecimento de marca

É a capacidade do consumidor de identificar a marca numa situação de compra. Existem dois níveis: recall, quando o consumidor lembra da marca espontaneamente ao pensar numa categoria; e reconhecimento, quando ele identifica a marca ao vê-la.

Reconhecimento não é só volume de exposição. É a qualidade das associações que a marca construiu. Uma empresa pode aparecer muito e ser lembrada por razões erradas. O que importa é ser lembrada do jeito certo, no momento certo.

Associações de marca

São os atributos, valores, emoções e imagens que o consumidor conecta automaticamente à marca. Quando alguém pensa na sua empresa, o que vem à mente? Sofisticação? Confiança? Inovação? Custo-benefício? Aquelas reuniões que nunca saem no prazo?

Associações se formam por experiência direta, por comunicação e por contexto. Uma marca que aparece sempre nos lugares certos, falando das coisas certas, para as pessoas certas, constrói associações positivas e duradouras. Uma marca inconsistente constrói associações confusas ou negativas.

Qualidade percebida

É a percepção do consumidor sobre a qualidade da marca em relação às alternativas disponíveis, não a qualidade real. As duas podem ser muito diferentes.

Uma empresa pode entregar um produto tecnicamente superior e ser percebida como inferior porque a marca não comunica essa superioridade. E uma empresa pode ter um produto mediano e ser percebida como premium porque a marca entrega a percepção certa antes mesmo da experiência de compra.

Qualidade percebida é construída pelo posicionamento, pelo design, pela comunicação e pela experiência. É o conjunto, não um elemento isolado.

Lealdade de marca

É o grau em que o consumidor continua escolhendo a mesma marca ao longo do tempo, mesmo diante de alternativas. Lealdade real não é hábito. É preferência ativa, a escolha consciente de pagar mais, buscar mais longe ou esperar mais tempo por uma marca específica.

Lealdade é o componente mais valioso do brand equity porque é o que mais reduz custo de aquisição e o que mais sustenta crescimento orgânico. Clientes leais recomendam, defendem e voltam. São o ativo de marketing mais eficiente que existe.


Como brand equity se acumula

Brand equity não é construído por uma campanha ou por um rebranding. É o resultado de decisões consistentes ao longo do tempo.

Consistência visual e verbal

Cada ponto de contato com o cliente é uma oportunidade de reforçar ou enfraquecer o brand equity. Um site que parece uma empresa, um Instagram que parece outra e uma proposta comercial que parece uma terceira não acumulam reconhecimento. Cada interação começa do zero.

Consistência não é rigidez. É coerência. A marca pode se adaptar a formatos e contextos diferentes sem perder a essência que a torna reconhecível.

Posicionamento claro e sustentado

Uma marca que ocupa um espaço específico e o defende ao longo do tempo acumula associações fortes naquele espaço. Uma marca que tenta significar coisas diferentes para públicos diferentes vai diluindo as associações sem construir nenhuma com profundidade.

O posicionamento precisa ser escolhido com cuidado e sustentado com consistência. Mudar de posicionamento com frequência não é agilidade. É destruição de brand equity acumulado.

[Confira nosso post completo sobre O que é Posicionamento]

Experiência que corresponde à promessa

Brand equity construído por comunicação mas não sustentado pela experiência colapsa rápido. Quando o cliente compra baseado numa percepção e a entrega não corresponde, a dissonância é proporcional à expectativa criada.

A promessa da marca precisa ser calibrada com o que a empresa consegue entregar de forma consistente. Melhor prometer menos e entregar mais do que o contrário.

Presença nos momentos certos

Brand equity se acumula quando a marca está presente nos momentos relevantes para o cliente, não em todos os momentos. Relevância é mais valiosa que volume. Uma marca que aparece muito nas situações erradas constrói reconhecimento, mas não as associações certas.

[Confira post da HBR sobre Brand Equity]


Brand equity para empresas menores: onde está a vantagem

A ideia de que brand equity é coisa de empresa grande vem de uma confusão entre escala e profundidade. Grandes marcas têm escala: chegam a mais pessoas, aparecem em mais lugares, têm mais recursos para comunicação. Mas escala não é sinônimo de profundidade de associação.

Empresas menores têm vantagens reais na construção de brand equity:

Autenticidade mais fácil de manter. Quanto menor a empresa, mais próxima ela está do fundador, dos clientes e dos valores reais do negócio. Autenticidade é um dos componentes mais difíceis de construir para grandes corporações e um dos mais naturais para empresas em crescimento.

Ciclo de feedback mais curto. Uma empresa pequena consegue perceber rapidamente quando uma associação está se formando de forma errada e corrigir antes que se solidifique. Grandes marcas levam anos para mudar uma percepção instalada.

Relacionamento mais direto. Lealdade de marca é construída por experiências memoráveis. Empresas menores têm mais condições de criar essas experiências porque estão mais próximas de cada cliente.

O que empresas menores precisam fazer diferente é escolher o espaço certo para construir. Em vez de tentar competir em escala com as grandes, o objetivo é construir brand equity profundo num território específico, com o público certo. Ser a primeira escolha de um grupo menor é mais valioso do que ser uma opção vaga para um grupo grande.


O que destrói brand equity

Construir brand equity leva tempo. Destruir é mais rápido.

Inconsistência. Marcas que mudam de visual, de tom de voz ou de posicionamento com frequência não acumulam reconhecimento. Cada mudança apaga parte do que foi construído.

Promessa maior que a entrega. Uma campanha que eleva expectativas além do que a empresa consegue cumprir pode gerar reconhecimento no curto prazo e destruir lealdade no médio.

Crise mal gerida. Marcas com brand equity alto têm mais capacidade de sobreviver a crises porque o consumidor dá o benefício da dúvida. Mas crises mal comunicadas ou que expõem contradições entre o que a marca diz e o que ela faz podem destruir anos de construção.

Expansão sem critério. Crescer para novos mercados ou lançar novos produtos sem avaliar o impacto nas associações existentes pode diluir o que foi construído. Brand equity construído num posicionamento específico não se transfere automaticamente para qualquer direção de crescimento.


Como saber se a sua marca tem brand equity

Algumas perguntas práticas para avaliar onde você está:

Os seus clientes recomendam a sua marca espontaneamente, sem você pedir? O nome da empresa aparece em buscas relacionadas ao segmento sem você ter feito esforço específico para isso? Os clientes pagam o preço sem questionar, porque já chegam com a percepção de valor formada? Quando um concorrente aparece com preço menor, parte dos seus clientes continua escolhendo você?

Se a resposta para a maioria dessas perguntas é não, não é necessariamente um problema grave. É um diagnóstico: a marca ainda não construiu o brand equity que o negócio precisa. E isso tem solução, desde que o processo comece pelo lugar certo.

[Conheça o Diagnóstico de marca da Lous]

[Saiba os critérios na escolha do nome ideal para sua marca]


O próximo passo

Brand equity não é construído por um post, por uma campanha ou por um rebranding isolado. É o resultado de decisões consistentes, fundamentadas numa estratégia de marca clara.

Se você quer entender onde a sua marca está hoje e o que precisa mudar para construir brand equity de verdade, conheça a Lous. Fale conosco.

[Fale com a Lous →]


Perguntas frequentes sobre brand equity

O que é brand equity? Brand equity é o valor que uma marca acumula na mente do consumidor ao longo do tempo. É o conjunto de associações, percepções e lealdade que fazem o consumidor escolher uma marca em vez da concorrente, mesmo quando as alternativas são objetivamente parecidas. É um ativo intangível, mas mensurável em comportamento de compra.

Quais são os componentes do brand equity? Os quatro componentes principais, sistematizados por David Aaker, são: reconhecimento de marca (o consumidor lembra e identifica a marca), associações de marca (os atributos e valores que ele conecta a ela), qualidade percebida (a percepção de qualidade em relação às alternativas) e lealdade de marca (a escolha repetida e ativa pela mesma marca ao longo do tempo).

Como construir brand equity para uma empresa pequena? Com consistência, posicionamento claro e experiência que corresponde à promessa. Empresas menores têm vantagens reais: autenticidade mais fácil de manter, ciclo de feedback mais curto e relacionamento mais direto com o cliente. O objetivo não é competir em escala com as grandes, mas construir brand equity profundo num território específico com o público certo.

Brand equity e valor de marca são a mesma coisa? São conceitos próximos mas distintos. Brand equity é o valor da marca na mente do consumidor, medido em associações e comportamento de compra. Valor de marca é a tradução financeira desse equity: quanto a marca vale como ativo numa avaliação de negócio. Brand equity forte gera valor de marca alto, mas nem sempre o contrário é verdadeiro.

Quanto tempo leva para construir brand equity? Não existe um prazo fixo. Brand equity se acumula com consistência ao longo do tempo: toda vez que a marca aparece do jeito certo, para a pessoa certa, no momento certo, um pouco mais de equity é construído. O processo pode ser acelerado com posicionamento claro, design coerente e experiência de qualidade. O que não tem atalho é a consistência.


Eduardo Laranjeira é co-fundador da Lous Branding, mestrando em design e inteligência artificial, com 7 anos criando marcas para empresas de médio e grande porte no Brasil e América Latina.

Aline Ferraz é co-fundadora da Lous Branding, Designer de moda e mestranda em Design na UFPE. Com 7 anos de experiência em consultoria de branding, pesquisa o efeito das cores sobre o comportamento do consumidor e encontra no design, na arquitetura e nas artes sua principal fonte de inspiração.


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